O Que São as Marés de Perigeu e Apogeu?
As marés fazem parte da rotina de quem vive ou visita o litoral. Em alguns dias, o mar sobe mais do que você esperava. Em outros, a diferença entre maré alta e maré baixa parece menor. Muita gente atribui isso apenas “à Lua cheia”, mas a história é um pouco mais completa. Além do alinhamento entre Sol e Lua, a distância entre a Terra e a Lua também varia ao longo do mês. E essa variação ajuda a explicar duas expressões importantes: marés de perigeu e marés de apogeu.
Perigeu é quando a Lua está mais próxima da Terra. Apogeu é quando ela está mais distante. Como a atração gravitacional depende da distância, a Lua “puxa” os oceanos com um pouco mais de força no perigeu e com um pouco menos no apogeu. O resultado costuma ser uma mudança pequena, mas real, na amplitude das marés. Amplitude aqui significa a diferença entre a maré alta e a maré baixa em um ciclo.
Esse tema importa porque evita confusões comuns. Uma delas é achar que qualquer “maré muito alta” é culpa exclusiva da Lua. Na prática, vento, pressão atmosférica e o formato da costa podem elevar o nível do mar de forma forte. Outra confusão é achar que perigeu e apogeu “criam” marés sozinhos. Eles modulam as marés, mas o alinhamento com o Sol também conta, e o efeito muda de lugar para lugar.
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O que são marés de perigeu e apogeu
Marés de perigeu são marés em que a influência lunar tende a ser mais forte porque a Lua está no perigeu, ou seja, mais próxima da Terra. Isso pode aumentar um pouco a amplitude das marés.
Marés de apogeu são marés em que a influência lunar tende a ser mais fraca porque a Lua está no apogeu, ou seja, mais distante da Terra. Isso pode reduzir um pouco a amplitude das marés.
A ideia central é simples: a Lua é o principal agente das marés. Quando ela está mais perto, a força que gera maré aumenta um pouco. Quando está mais longe, diminui um pouco.
Uma analogia curta ajuda. Pense em um ímã puxando um objeto leve sobre uma mesa. Se você aproxima o ímã, a força aumenta. Se você afasta, a força diminui. A Lua não é um ímã, mas a lógica “mais perto, mais efeito” ajuda a entender por que perigeu e apogeu modulam as marés.
Como as marés funcionam

Maré é a variação periódica do nível do mar causada principalmente pela gravidade da Lua e, em menor grau, pela gravidade do Sol.
A Lua puxa a água dos oceanos e cria duas regiões principais de “abaulamento” do nível do mar. Uma fica voltada para a Lua. A outra fica no lado oposto. Conforme a Terra gira, as regiões costeiras passam por essas áreas e o nível do mar sobe e desce ao longo do dia.
O número de marés altas e baixas por dia depende do tipo de regime de maré do local. Muitos trechos do litoral têm padrão semidiurno ou misto, o que significa que podem ocorrer duas marés altas e duas baixas em aproximadamente um dia.
O ponto mais importante para iniciantes é este: a Lua não “enche” o mar como se fosse uma torneira. Ela reorganiza a água por gravidade, criando diferenças de nível que se deslocam com a rotação da Terra.
O que significa amplitude de maré
Amplitude de maré é a diferença entre o nível da maré alta e o nível da maré baixa em um intervalo. Quando essa diferença aumenta, a maré alta fica mais alta e a maré baixa pode ficar mais baixa.
Perigeu e apogeu costumam mexer nessa amplitude, mas o quanto muda depende muito do lugar.
Por que perigeu e apogeu mudam a maré
A órbita da Lua ao redor da Terra não é um círculo perfeito. Ela é levemente elíptica, como um oval. Por isso, ao longo do mês, a distância Terra–Lua varia entre um ponto mais próximo (perigeu) e um ponto mais distante (apogeu).
Quando a Lua está no perigeu, a força geradora de maré tende a ser maior do que a média, aumentando um pouco a amplitude. Quando a Lua está no apogeu, a força tende a ser menor, reduzindo um pouco a amplitude.
É importante ter expectativas realistas. Essa variação é real e mensurável, mas costuma ser um ajuste moderado dentro do comportamento normal das marés. Em muitos locais, fatores locais e meteorológicos conseguem causar variações maiores do que a diferença entre perigeu e apogeu.
O papel do Sol na história
Além da Lua, o Sol também influencia as marés. Mesmo estando muito distante, sua massa é enorme e ele contribui para a força de maré.
Quando Sol e Lua estão alinhados com a Terra, as forças tendem a se somar. Isso acontece nas fases de Lua nova e Lua cheia e costuma gerar marés de maior amplitude, chamadas marés de sizígia.
Quando Sol e Lua formam um ângulo aproximado de 90 graus em relação à Terra, como nos quartos crescente e minguante, as forças tendem a “competir” e a amplitude costuma diminuir. Essas são as marés de quadratura.
Essa parte é essencial porque perigeu e apogeu não atuam sozinhos. Eles modulam um sistema que também depende do alinhamento Sol–Terra–Lua.
Quando marés de perigeu ficam mais evidentes
Muita gente percebe mais a maré de perigeu quando ela coincide com uma maré de sizígia. Em termos populares, é quando você junta:
- alinhamento favorável (Lua nova ou Lua cheia)
- Lua mais próxima (perigeu)

Essa combinação pode aumentar um pouco mais a amplitude, em comparação com uma sizígia que acontece perto do apogeu. A NOAA, por exemplo, descreve a ideia de “perigean spring tide” como a coincidência de Lua nova ou cheia com o perigeu, elevando marés mais do que o normal.
Para o leitor iniciante, um jeito simples de dizer é:
maré de sizígia explica o “dia de marés maiores”.
perigeu e apogeu explicam o “quanto a maré maior pode ficar um pouco mais alta ou mais baixa”.
“Maré de rei” e termos populares
Em alguns lugares, a mídia usa “maré de rei” para marés muito altas. Esse rótulo varia por região e pode misturar causas diferentes, incluindo perigeu, sizígia e condições meteorológicas. A própria NOAA comenta que o uso popular do termo pode aparecer associado a marés de sizígia no perigeu, mas o efeito é dependente do local.
O mais seguro é pensar assim: nome popular não substitui previsão de maré local.
Como identificar marés de perigeu e apogeu na prática
Você não identifica maré de perigeu “olhando o mar” uma única vez. Você identifica com comparação e com previsão.
Três caminhos ajudam muito:
- Tábua de marés do seu local
Ela mostra horários e alturas previstas para maré alta e baixa. Se você acompanha por alguns dias, percebe quando a amplitude aumenta. - Calendário lunar com perigeu e apogeu
Alguns serviços astronômicos e materiais educativos indicam datas de perigeu e apogeu. Isso ajuda a explicar por que, naquela semana, as marés podem estar um pouco mais “fortes” ou “fracas”. - Observação repetida
Se você mora perto do mar, observe sempre no mesmo ponto da costa. Fotografe a linha d’água em maré alta por alguns dias. Essa repetição ensina mais do que uma observação isolada.
Sinais que iniciantes costumam notar
Em marés de amplitude maior, você pode notar:
- a maré alta chegando mais perto de áreas normalmente secas
- correntes mais fortes em canais, estuários e passagens estreitas
- uma variação maior entre o horário de praia “seca” e o horário de água avançada
Em marés de amplitude menor, você pode notar:
- menos diferença entre maré alta e baixa
- menos recuo do mar em alguns pontos
Esses sinais variam muito com a geografia local, então use como referência geral.
Tabela para organizar os conceitos
| Conceito | O que é | Efeito típico na amplitude | Como reconhecer |
|---|---|---|---|
| Perigeu | Lua mais próxima da Terra | tendência de amplitude um pouco maior | calendário lunar indica perigeu |
| Apogeu | Lua mais distante da Terra | tendência de amplitude um pouco menor | calendário lunar indica apogeu |
| Sizígia | Sol e Lua alinhados com a Terra (Lua nova ou cheia) | marés mais altas e mais baixas | tábua de marés mostra maior amplitude |
| Quadratura | Sol e Lua a 90 graus (quartos) | marés com menor amplitude | tábua de marés mostra menor amplitude |
Essa tabela é uma simplificação. O resultado final depende do local e do clima.
Conclusão

Marés de perigeu e apogeu são uma forma simples de entender que a maré não depende apenas de “ser Lua cheia”. A distância da Lua à Terra varia ao longo do mês. No perigeu, a força geradora de maré tende a ser um pouco maior e a amplitude pode aumentar. No apogeu, tende a ser um pouco menor e a amplitude pode diminuir.
Na prática, você percebe melhor essas diferenças quando combina três coisas: tábua de marés local, noção de sizígia e quadratura e atenção ao clima. Isso evita exageros e melhora sua previsão do que vai acontecer na praia, em estuários e em áreas costeiras baixas. Em vez de tratar o tema como “misterioso”, você passa a ver como um sistema previsível que mistura astronomia e geografia local.
Se você quiser aprofundar, um bom próximo passo é ligar esse assunto a fases da Lua e ao conceito de alinhamento Sol–Terra–Lua. Isso fecha o ciclo e deixa a leitura do céu e do mar muito mais intuitiva.
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